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Amônia vs CO₂: Escolha do fluido refrigerante ideal

Amônia vs CO₂: escolha do fluido refrigerante ideal para 2026 em sistemas industriais

 

Introdução

O setor de refrigeração industrial vive um momento de renovação tecnológica impulsionado por demandas ambientais, critérios de eficiência energética e avanços regulatórios. Entre as principais decisões de engenharia está a escolha do fluido refrigerante adequado, frente à crescente proibição dos HFCs (hidrofluorcarbonetos) e alinhamento com acordos climáticos globais. Amônia (NH₃) e dióxido de carbono (CO₂, ou R-744) se firmaram como os dois principais candidatos naturais para substituir soluções tradicionais em instalações frigoríficas, laticínios, abatedouros, cervejarias, centrais de distribuição e armazéns logísticos.

No entanto, para 2026, a discussão é mais complexa: além da escolha do fluido, é preciso compreender limitações operacionais, regulamentação futura, custos totais de propriedade (TCO), impacto ambiental e requisitos de segurança. Este artigo técnico, baseado nos manuais Danfoss, EBM-Papst, normas internacionais e experiência prática da Elektra, vai explorar detalhadamente as diferenças entre sistemas com amônia e CO₂. O objetivo é capacitar engenheiros, integradores e gestores de manutenção na decisão estratégica da próxima planta frigorífica ou retrofit.


Sumário

  1. Panorama global e tendências para 2026
  2. Propriedades físico-químicas: NH₃ vs CO₂
  3. Critérios de seleção técnica e aplicações típicas
  4. Segurança operacional e mitigação de riscos
  5. Eficiência energética e classe ambiental
  6. Custos de instalação, operação e manutenção
  7. Requisitos regulatórios e perspectivas legislativas
  8. Integração com tecnologias Danfoss e EBM-Papst
  9. Tabela comparativa técnica
  10. Conclusão

1. Panorama global e tendências para 2026

A busca por refrigerantes com baixo impacto climático — conforme diretrizes do Protocolo de Montreal, Emenda de Kigali e políticas europeias (F-Gas) — acelerou o abandono gradativo dos HFCs. Amônia (NH₃) e CO₂ emergem como refrigerantes naturais, ambos sem efeito de destruição da camada de ozônio (ODP = 0), e com GWP (potencial de aquecimento global) extremamente baixo (NH₃ = 0 / CO₂ = 1). Para 2026, espera-se a consolidação dessas alternativas em aplicações médias e grandes. A amônia, tradicional nos frigoríficos brasileiros, enfrenta mais restrições urbanas devido à toxicidade, ao passo que CO₂ vê rápido avanço em supermercados, armazéns logísticos e segmentos de média temperatura.


2. Propriedades físico-químicas: NH₃ vs CO₂

A seleção do fluido refrigerante começa pela análise técnica de suas propriedades termodinâmicas e impacto operacional. Confira na tabela:

Propriedades comparativas – Amônia (NH₃) vs CO₂ (R-744)

Propriedade Amônia (NH₃) CO₂ (R-744)
ODP (Potencial de Destruição de Ozônio) 0 0
GWP (Potencial de Aquecimento Global) 0 1
Temperatura crítica (°C) 132,4 31,1
Pressão crítica (bar) 113,3 73,8
Toxidade Alta (classe B2L) Não tóxico
Inflamabilidade Moderada (B2L) Não inflamável
Eficiência volumétrica Muito alta Alta
Densidade no estado líquido (kg/m³, 0°C) 682 915
Solubilidade em água Alta Baixa
Detectabilidade (odor) Forte odor Inodoro
Compatibilidade c/ cobre Não Sim
Desempenho em evaporadores secos Excelente Muito bom
Disponibilidade Ampla Ampla

Fontes: ARI, ASHRAE, Danfoss, EBM-Papst

Observação: A pressão de operação do CO₂ em regime transcrítico pode ultrapassar 90 bar nas linhas de alta pressão, demandando componentes e práticas de instalação específicas.


3. Critérios de seleção técnica e aplicações típicas

Onde a amônia é dominante:

  • Plantas frigoríficas de grande porte (alimentos, frigoríficos bovinos/aves, laticínios)
  • Instalações industriais afastadas de zonas residenciais
  • Sistemas de recirculação bombeada/rack centralizado
  • Câmaras de baixa e ultrabaixa temperatura

Onde o CO₂ ganha espaço:

  • Supermercados, distribuição urbana, data-centers
  • Sistemas de cascata (CO₂/NH₃) para mitigar carga de amônia
  • Retrofit de pequenas/médias centrais de refrigeração
  • Instalações com restrição de inflamabilidade e toxicidade

Principais critérios para escolha:

  • Capacidade frigorífica requerida (tamanho da planta)
  • Localização e restrições urbanas
  • Políticas internas de segurança industrial
  • Disponibilidade de expertise técnica para operação/ manutenção
  • Orçamento inicial e análise de TCO (Total Cost of Ownership)
  • Expectativa de expansão futura (modularidade)

4. Segurança operacional e mitigação de riscos

Amônia (NH₃):

  • É tóxica e irritante em baixas concentrações; exposição pode ser letal.
  • Apresenta inflamabilidade moderada (B2L), mas incêndios são raros.
  • Exige planos robustos de contenção, sensores, ventilação, EPI e treinamentos regulares.
  • Sistemas modernos empregam detectores interligados a painéis PLC/Danfoss FC-302, válvulas de bloqueio, purgadores automáticos, redundância em ventilação e escape de emergência.

CO₂ (R-744):

  • Não é tóxico nem inflamável, mas em ambientes fechados pode causar asfixia por deslocamento de oxigênio.
  • Opera em pressões muito elevadas, exigindo validação rigorosa de todos os circuitos de alta pressão, dimensionamento e escolha precisa de válvulas, pressostatos, tubos e conexões.
  • Recomenda-se uso de válvulas e componentes certificados para CO₂ (ver catálogos Danfoss/Duragas), rotinas frequentes de inspeção e monitoramento eletrônico.

A Elektra apoia clientes com projetos de segurança, assistência técnica autorizada e treinamento de equipes conforme NR-36 e NR-13.


5. Eficiência energética e classe ambiental

  • Eficiência termodinâmica:
    Amônia é o refrigerante industrial de maior eficiência conhecida, com excelentes COPs (coeficiente de performance) e baixíssimo consumo específico, especialmente em aplicações de média e baixa temperatura com evaporadores inundados.
    CO₂ em regime subcrítico apresenta bom desempenho térmico; em regime transcrítico (regiões quentes), a eficiência cai, mas novas tecnologias Danfoss (como vaporização paralela e ejetores) minimizam perdas e melhoram a competitividade energética.
  • Aspectos ambientais:
    Ambos são refrigerantes naturais, não afetam a camada de ozônio.
    GWP da amônia é nulo e o do CO₂ é definido como referência (1).
    Menor carga de fluido geralmente necessária em sistemas CO₂ (racks compactos).

6. Custos de instalação, operação e manutenção

Item Amônia (NH₃) CO₂ (R-744)
Custo inicial Médio/Alto Alto*
Tubulação Requer aço/alumínio Pode usar cobre especial até 75 bar
Componentes Específicos anti-NH₃ Alta pressão, específicos CO₂
Manutenção Mão de obra especializada, inspeções NR-13 Monitoramento rigoroso de válvulas, pressostatos, detecção de vazamentos
Consumo energético Muito baixo Médio/baixo, dependendo do clima
Disponibilidade de peças Alta Alta, porém menos comum em pequenas cidades
Vida útil > 20 anos (bem projetado) 15-20 anos

*CO₂ apresenta custo inicial elevado devido à necessidade de componentes para alta pressão, mas TCO pode ser mais baixo com projeto otimizado.


7. Requisitos regulatórios e perspectivas legislativas

  • NH₃ encontra crescente restrição em zonas urbanas devido à sua classificação toxicológica. Leis municipais e estaduais podem vetar expansões em áreas densas. A NR-36 e a NR-13 definem requisitos técnicos para vasos, pressão, isolamento e planilhas de segurança.
  • CO₂ cresce em aceitação devido ao perfil não tóxico/inflamável, sendo favorecido por tendências de descarbonização e banimento de HFCs. Certificações Danfoss e EBM-Papst já atendem especificações internacionais, como ISO 5149 e EN 378, e a Elektra orienta projetos conforme a legislação vigente.

8. Integração com tecnologias Danfoss e EBM-Papst

  • A Elektra distribui a linha completa de inversores Danfoss (FC-51, FC-101, FC-102, FC-202, FC-302, FC-360, FC-280), controladores industriais, sensores de pressão/temperatura e soluções de automação para ambas as tecnologias.
  • No caso de NH₃, recomenda-se uso do VLT AutomationDrive FC-302 pela robustez no controle de compressores de pistão e parafuso, programação PID, gerenciamento de válvulas solenoides e sensores de nível.
  • Para CO₂, a automação requer precisão em pressões elevadas, rampas suaves, controle digital das válvulas de expansão eletrônica (EKE Danfoss), além de ventiladores EBM-Papst RadiPac/Radical para condensadores a gás ou ejetores.
  • Ambos os sistemas se beneficiam do suporte técnico qualificado da Elektra: pré-seleção de inversores, parametrização personalizada, estoques entregues em todo o Brasil.

9. Tabela comparativa técnica

Critério Amônia (NH₃) CO₂ (R-744)
Eficiência Térmica Excelente Boa (subcrítico), média (transcrítico)
Faixa de temperatura (-°C) Até -50 Até -50 (cascata)
Pressão operacional (bar) 6-10 (evap.), até 20 (descarga) 25-45 (subcrítico), até 100 (transcrítico)
Toxicidade/inflamabilidade Tóxica, inflamável (B2L) Não tóxico, não inflamável
Segurança de operação Exige robusta contenção e EPI Risco de alta pressão; cuidado em áreas fechadas
Área mínima de instalação Geralmente maior Compacta (caso de racks)
Carga de fluido Alta (sistemas inundados) Baixa a média
Normas de projeto NR-13, ASHRAE, EN 378 ISO 5149, EN 378
Facilidade de retrofit Mais complexo em instalações antigas Fácil adaptação em racks e supermercados
Suporte técnico especializado Fundamental Fundamental

10. Conclusão

A escolha entre amônia e CO₂ como refrigerante industrial para 2026 deve ser guiada pelo perfil da aplicação, demandas regulatórias, capacidade técnica e visão de longo prazo do negócio. Amônia se mantém insuperável em eficiência térmica e robustez para grandes plantas, porém exige controle rigoroso de riscos. O CO₂ avança em versatilidade, modularidade e segurança para médias e grandes aplicações, especialmente em áreas urbanas e setores com preocupação ambiental crescente.

A Elektra oferece suporte completo para seleção, dimensionamento, automação e parametrização para ambos os sistemas, representando oficialmente a Danfoss e EBM-Papst, além de assistência técnica e entrega nacional. Consulte nossos especialistas para uma avaliação detalhada e orçamentos sem compromisso — garanta eficiência e conformidade para o futuro da sua instalação frigorífica.

Entre em contato com a equipe técnica da Elektra e saiba qual solução é ideal para seu projeto.