O uso do amoníaco (NH₃) em sistemas de refrigeração industrial é consolidado há décadas devido a sua eficiência térmica, custo-benefício e baixíssimo impacto ambiental em relação a fluidos sintéticos. Entretanto, como todo agente refrigerante, requer o respeito a rígidas normas de segurança, boas práticas de engenharia, dimensionamento cuidadoso e execução precisa.
Falhas em instalações podem gerar riscos graves à saúde, à integridade do sistema, à produtividade operacional e ao meio ambiente. Além disso, a evolução das tecnologias em instrumentação, controle e automação — como inversores Danfoss VLT e ventiladores EBM-Papst — vem elevando o padrão de exigência para integradores, instaladores, gestores de manutenção e engenheiros que atuam em frigoríficos, laticínios, bebidas e centros de distribuição refrigerada.
Com base na experiência de campo, documentação técnica e suporte autorizado da Elektra, este artigo aborda os erros mais comuns nessas instalações, seus impactos e estratégias para evitá-los, promovendo segurança, longevidade e eficiência operacional.
Sumário
- Fundamentos do uso de amônia em sistemas de refrigeração
- Erros de projeto e seleção de equipamentos
- Problemas na montagem e execução de tubulações
- Falhas no comissionamento, testes de estanqueidade e vácuo
- Erros em instrumentação, controles e automação
- Manutenção inadequada e negligência de alarmes
- Cuidados ambientais e legislações aplicáveis
- Como a Elektra agrega valor à sua instalação
- Conclusão
1. Fundamentos do Uso de Amônia em Sistemas de Refrigeração
A amônia (R-717) é amplamente utilizada devido ao seu alto coeficiente de troca térmica, pressão de operação moderada, baixo custo e ausência de potencial de destruição da camada de ozônio (ODP=0).
Características relevantes do NH₃:
- Alta eficiência energética (COP elevado)
- Detectável a baixas concentrações (odor penetrante)
- Toxicidade exigindo rigorosos padrões de segurança
- Corrosiva a materiais como cobre e algumas ligas não ferrosas
- Altamente solúvel em água
Instalações industriais com amônia requerem projetos dedicados, obedecendo a normas como NR-13, NR-36, ABNT NBR16069 e legislações ambientais.
2. Erros de Projeto e Seleção de Equipamentos
Principais falhas detectadas:
- Dimensionamento impreciso de compressores: Subdimensionamento gera incapacidade de manter temperatura; superdimensionamento resulta em ciclos curtos, desgaste excessivo e consumo elevado.
- Incompatibilidade de materiais: O uso de cobre no sistema é proibido. Deve-se optar por aço carbono tratado ou aço inoxidável.
- Seleção inadequada de válvulas, instrumentos e dispositivos de segurança: Incorreta classificação de pressão, ausência de válvulas de alívio e sistemas de bloqueio redundantes.
- Escolha incorreta de inversores e motores: Falhas na seleção de inversores Danfoss, por exemplo, no ajuste dos parâmetros de proteção de motor, filtro EMC, isolamento (IP) e robustez para ambientes agressivos.
Itens Críticos na Especificação de Equipamentos para NH₃
| Componente | Erro Frequente | Impactos | Correção/Solução |
| Compressor | Sub/superdimensionamento | Ineficiência, desgaste | Cálculo térmico detalhado, simulação |
| Tubulações | Uso de cobre ou bitolas subdimensionadas | Corrosão, rupturas | Aço carbono tratado, tabelas ABNT |
| Válvulas | Sem classe de pressão adequada | Vazamentos, riscos | Especificação conforme projeto |
| Inversor VLT Danfoss | Filtro EMC ou IP inadequados, má parametrização | Paradas, falhas eletrônicas | Seleção via manual técnico, parametrização guiada Elektra |
| Instrumentação | Falta de redundância, sensores incompatíveis | Baixa confiabilidade | Dupla instrumentação, especificação compatível com NH₃ |
3. Problemas na Montagem e Execução de Tubulações
- Soldas mal executadas e sem inspeção radiográfica: Porosidades, trincas e riscos de vazamento.
- Falta de declividade adequada: Pode causar acúmulo de óleo e líquido no retorno, levando a golpes de líquido e falhas nos compressores.
- Ausência de isolamento adequado: Perdas térmicas, condensação, risco de corrosão sob isolamento (“under insulation corrosion”).
Melhores práticas:
- Inspeção de solda conforme NR-13 e NBR16069.
- Teste hidrostático conforme pressão de projeto.
- Declividade mínima nas sucções (média de 1%) para retorno efetivo do óleo.
- Uso de isolamento certificado para NH₃, com barreira contra absorção de umidade.
4. Falhas no Comissionamento, Testes de Estanqueidade e Vácuo
- Testes de estanqueidade inadequados: Pulmões, chillers e linhas muitas vezes não são submetidos ao teste de pressão com nitrogênio de acordo com a norma.
- Procedimentos inadequados de evacuação: Vácuo mal executado resulta em contaminação por umidade, que reage com a amônia formando compostos corrosivos e reduzindo vida útil dos componentes.
- Desprezo ao purgador de ar: A presença de ar reduz a eficiência do ciclo de refrigeração.
Procedimentos essenciais:
- Uso de nitrogênio seco para pressurizar até 1,25x pressão de operação.
- Vácuo abaixo de 500 mícrons, monitorado por vacuômetro certificado.
- Aplicação de detector de vazamento sensível a amônia.
5. Erros em Instrumentação, Controles e Automação
Problemas Usuais:
- Sensores de pressão/temperatura incompatíveis: Falha prematura e leituras imprecisas.
- Falta de calibração periódica compromete controles de superaquecimento, sub-resfriamento e alarmes críticos.
- Parametrização inadequada de inversores Danfoss VLT (FC-302/FC-102/FC-202):
- Má configuração do controle PID pode gerar oscilações e falta de estabilidade.
- Falta de uso de lógicas de proteção (por exemplo, detecção de falta de fase, monitoração de corrente excessiva, função Safe Torque Off).
- Sequência lógica dos I/O não validada, resultando em comandos conflitantes.
Tabelas de Parâmetros Críticos para Inversores Danfoss em Sistemas com Amônia
| Inversor Danfoss | Parâmetro | Valor Sugerido/Nota | Função |
| VLT FC-302 | 1-20 (Tipo de Motor) | Compativel com carcaça IP55, aço, tropicalizado | Proteção em ambientes com NH₃ e umidade |
| VLT FC-302 | 5-10 (Controle PID) | Setado p/ pressão/temperatura alvo | Mantém estabilidade do sistema |
| VLT FC-202 | 4-16 (Alarme de Fuga) | Ativar detecção de fuga de corrente | Segurança elétrica |
| VLT FC-302 | 14-20 (Safe Torque Off) | Ativar p/ paradas de emergência | Segurança operacional |
Consulte sempre os manuais Danfoss VLT para critérios exatos e integração com sensores e CLP. A Elektra oferece suporte completo em parametrização, lógica de controle e treinamentos.
6. Manutenção Inadequada e Negligência de Alarmes
- Interpretação incorreta de alarmes (elétricos, de processo e de segurança): Exemplo: ignorar alta frequência de partida causa desgaste prematuro de compressores e inversores.
- Desligamento manual de sistemas de purga, pressostatos ou válvulas de alívio “para evitar disparos falsos”: prática extremamente perigosa!
- Negligência na drenagem de óleo: acúmulo de óleo reduz trocas térmicas e aumenta risco de retorno ao compressor.
Rotinas recomendadas:
- Plano de manutenção preventiva sistemático, incluindo inspeção visual, testes de válvulas de segurança, calibração e atualização de firmware de inversores.
- Registro detalhado dos alarmes ocorridos e AÇÕES CORRETIVAS tomadas.
7. Cuidados Ambientais e Legislações Aplicáveis
- Desconsideração do impacto ambiental: Vazamentos de NH₃ poluem corpos d’água e ar atmosférico, podendo implicar multas severas e necessidade de evacuação.
- Descarte inadequado do óleo contaminado: O óleo deve ser segregado e tratado conforme legislação ambiental vigente.
- NR13/NBR16069 não atendidas: Não assinatura de ART, ausência de prontuários ou dispositivos de segurança são infrações graves.
8. Como a Elektra Agrega Valor à sua Instalação com Amônia
A Elektra é distribuidora autorizada Danfoss e EBM-Papst e oferece ao mercado:
- Seleção correta de inversores Danfoss (FC-51, FC-101, FC-102, FC-202, FC-302, FC-360, FC-280) e ventiladores EBM-Papst para ambientes industriais.
- Dimensionamento técnico personalizado para cada tipo de aplicação, de acordo com normas vigentes.
- Suporte técnico especializado para parametrização, integração de sistemas e identificação de falhas.
- Assistência autorizada e estoque local para atendimento rápido em todo o Brasil.
- Acesso a treinamento técnico, documentação detalhada e inspeção de conformidade.
Ao contar com o suporte Elektra, sua instalação está respaldada técnica e legalmente contra os riscos recorrentes das instalações com amônia.
9. Conclusão
Instalações com amônia requerem conhecimento técnico, prudência e uma abordagem multidisciplinar, desde o projeto à manutenção. Os erros listados neste artigo são recorrentes, porém perfeitamente evitáveis com boas práticas e suporte especializado.
Para garantir eficiência, segurança operacional e conformidade em instalações com amônia, conte com a equipe técnica da Elektra para dimensionamento, fornecimento de componentes, assistência em campo e treinamentos. Entre em contato e descubra como podemos agregar mais valor e confiabilidade ao seu projeto ou operação industrial.
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